Uso de espécies de grande porte no paisagismo

27/02/2025 Sérgio Miguel Pereira

Com a urbanização e a concentração da população nos grandes centros urbanos, surge a necessidade de promover qualidade de vida e bem-estar. Com isso o uso de espécies nativas no paisagismo, que são aquelas que ocorrem naturalmente em uma determinada região, adaptadas às condições climáticas e de solo locais, tem se mostrado uma alternativa sustentável e vantajosa. O uso dessas plantas oferece benefícios, entre eles, redução de temperatura, sombra, espaços de lazer mais agradáveis, conforto térmico e ao mesmo tempo promovem a preservação, servindo como refúgio para aves e pequenos animais, ambientes equilibrados ecologicamente que minimizam os impactos ambientais.

Recentemente, a adoção de plantas nativas tem ganhado destaque em diversos projetos de paisagismo dentro das cidades. Contudo, apesar dos benefícios, ainda existe uma grande predominância do uso de plantas exóticas nos espaços urbanos, o que pode representar um risco para a biodiversidade local. Portanto, é fundamental incentivar a transição para o uso de espécies nativas, contribuindo para cidades mais verdes, sustentáveis e ecologicamente equilibradas.

A escolha das espécies das plantas de grande porte deve ser feita com antecedência e o trabalho de mudança de local inicia-se com o desmame onde as raízes maiores, próxima ao tronco são podadas forçando o surgimento de novas mais próximas que darão condições de formação de um torrão. Poda dos galhos nessa fase também é recomendada. Outro fator importante é o tamanho da cova, onde a árvore será plantada pois esta deverá ser compatível com o tamanho do torrão, garantindo o sucesso do transplante (Figura1). Equipamentos de grande porte para retirada e transporte até o local definitivo se faz necessário (Figura2).

Lembramos que as plantas sempre devem ter origem em viveiros especializados, devidamente registrados nos órgãos competentes com responsável técnico um Eng° Agrônomo ou Eng° Florestal.

A escolha das espécies nativas de grande porte a serem utilizadas em projetos é outro fator crucial para o sucesso do paisagismo. É fundamental selecionar plantas que se adaptem ao ambiente urbano e que, ao mesmo tempo, ofereçam o melhor desempenho estético e ecológico. Cuidados em relação ao local de plantio quanto a presença de calçadas, fiação devem ser bem avaliados para evitar danos (Figura 3 e 4). Exemplos de espécies nativas que se destacam incluem:
• Manacá-da-serra (Tibouchina mutabilis)
• Quaresmeira (Tibouchina granulosa)
• Pata-de-vaca (Bauhinia forficata)
• Ipê-amarelo (Handroantus chrysotrichius)
• Jacarandá (Jacaranda brasiliana)
• Jabuticabeira (Plinia cauliflora)
• Guaviroveira (Campomanesia xanthocarpa)
• Pitangueira (Eugenia uniflora)

O sucesso desse tipo de paisagismo com espécies de grande porte exige desafios, onde um entendimento profundo de orçamento, regulamentação, escala e proporção, infraestrutura, execução e manutenção serão resolvidas com a contratação de uma equipe técnica formada por Eng° Agrônomo ou Eng° Florestal. Ao adotar essas práticas no planejamento urbano, é possível criar ambientes mais integrados à natureza, melhorar a qualidade de vida nas cidades e promover a sustentabilidade de longo prazo. O paisagismo com espécies nativas de grande porte não só enriquece o ambiente esteticamente, mas também contribui para um futuro mais verde e equilibrado, onde as cidades se tornam verdadeiros refúgios ecológicos para as pessoas e a fauna.

Eng. Agrônomo SÉRGIO MIGUEL PEREIRA - CREAPR 31069-D
Associado da Associação de Engenheiros Agrônomos do Paraná - Curitiba (AEAPR-Curitiba).
Associado da AEACL – Campo Largo
Inspetor CREAPR.
Proprietário da empresa Campestre Jardinagem e Paisagismo.