A Importância dos Fertilizantes Sólidos na Agricultura Brasileira

13/12/2024 Igor Matheus Boganika Barros

Nos últimos anos, o Brasil tem se destacado no topo dos rankings de produção de grãos, resultado das tecnologias avançadas implantadas no campo e do trabalho técnico realizado por engenheiros agrônomos em todo o país. Um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento agrário do Brasil é a nutrição dos solos, ajustada pelo uso de fertilizantes, que podem ser sólidos ou líquidos. Neste artigo, discutiremos a importância dos fertilizantes sólidos.

Consumo de Fertilizantes no Brasil:
O Brasil possui uma média de consumo anual de 45 milhões de toneladas de fertilizantes, dos quais aproximadamente 85% são importados. Este volume significativo é essencial para manter a alta produtividade agrícola brasileira. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), de janeiro a outubro de 2024, foram importadas 33.189.812 toneladas de fertilizantes, um número expressivo que destaca a dependência do país em relação às importações para suprir suas necessidades agrícolas.

Exemplos de Fertilizantes Sólidos Usados no Brasil:
Os fertilizantes sólidos são amplamente utilizados na agricultura brasileira devido à sua eficácia na nutrição das plantas. Alguns exemplos comuns incluem:
• Ureia
• Sulfato de Amônio
• Nitrato de Amônio
• Super Fosfato Simples
• Super Fosfato Triplo
• Fosfato Monoamônico
• Fosfato Diamônico
• Cloreto de Potássio

Processo de Importação de Fertilizantes:
Para que uma empresa possa realizar a importação de fertilizantes, é necessário possuir uma infraestrutura adequada e cumprir diversas exigências legais. O processo começa com o cadastro na Receita Federal e nos órgãos ambientais competentes, seguido pelo registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA). Após a liberação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), as operações de importação das matérias-primas e/ou produtos acabados podem ser iniciadas.

Desafios na Importação de Fertilizantes:
A importação de fertilizantes no Brasil enfrenta vários desafios significativos.

Aqui estão alguns dos principais:
1. Dependência Externa e Vulnerabilidade: O Brasil depende fortemente de fertilizantes importados, o que o torna vulnerável a flutuações no mercado internacional, como variações cambiais, mudanças nas políticas comerciais e crises geopolíticas.
2. Custos Logísticos e de Transporte: Os elevados custos de transporte e logística são um grande desafio. A infraestrutura de transporte no Brasil pode ser limitada, aumentando os custos e o tempo necessário para a distribuição dos fertilizantes.
3. Burocracia e Entraves Regulamentares: O processo de importação envolve várias etapas burocráticas, incluindo registros na Receita Federal, órgãos ambientais, CREA e Ministério da Agricultura. Esses procedimentos podem ser demorados e complexos.
4. Qualidade e Segurança dos Produtos: Garantir a qualidade e a segurança dos fertilizantes importados é crucial. Existem riscos associados à importação de produtos de baixa qualidade ou contaminados, que podem afetar negativamente a produtividade agrícola.
5. Impacto das Tarifas de Importação: A imposição de tarifas de importação pode aumentar os custos dos fertilizantes, impactando diretamente os custos de produção agrícola e, consequentemente, a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
6. Flutuações nos Preços Internacionais: As variações nos preços dos fertilizantes no mercado internacional podem afetar significativamente os custos de importação, tornando difícil para os agricultores planejarem e gerenciar seus custos de produção.

Esses desafios destacam a necessidade de políticas eficazes e infraestrutura adequada para apoiar a importação de fertilizantes e garantir a sustentabilidade da agricultura brasileira.

Conclusão:
A utilização de fertilizantes sólidos é crucial para a manutenção da fertilidade do solo e para garantir a produtividade das lavouras brasileiras. A dependência de importações para suprir a demanda interna destaca a importância de uma infraestrutura robusta e de um processo de importação eficiente. Com o contínuo avanço das tecnologias agrícolas e o trabalho dedicado dos profissionais do setor, o Brasil continuará a se destacar como um dos maiores produtores de grãos do mundo.


*Artigo escrito por Igor Matheus Boganika Barros, engenheiro agrônomo, sócio e membro da Comissão de Ética Profissional da AEAPR-Curitiba. Formado em 2020 pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC PR) e registrado no CREA PR sob o número 194518/D. Atualmente, atua como comercial de fertilizantes na Inpek Fertilizantes, onde se destaca por sua paixão e dedicação ao setor.