Secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado, Engenheiro Agrônomo Erickson Camargo Chandoha, destaca que iniciativas conjuntas buscam a sustentabilidade da agricultura paranaense.
Jornalista Crisélli Montipó
Foto: Arquivo Seab/AENotícias
Recentemente, a Associação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná - Curitiba (AEAPR-Curitiba) recebeu o secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado, o engenheiro agrônomo Erickson Camargo Chandoha para mais uma edição do DebatePapo Agronômico. Na oportunidade, o secretário mostrou as políticas adotadas pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) e respondeu às perguntas dos participantes. Sobre este e outros assuntos, como as propostas para a agenda parlamentar, o secretário concedeu uma entrevista exclusiva. Acompanhe:
Secretário, como permitir o desenvolvimento de atividades produtivas (agropecuárias e florestais) do entorno das áreas urbanas da RMC, que permitam o abastecimento com matérias primas, alimentos, e água?
É muito importante o papel que a agricultura e os agricultores possam desenvolver neste contexto. O agricultor em sua atividade diária tem uma relação muito íntima com o meio ambiente. Ele depende do solo, da chuva, tudo muito bem manejado para ter sucesso com a sua atividade. A água na agricultura não tem um uso intensivo, mas a sua utilização ocorre em um sistema de produção onde o volume de água fica no sistema.
As tecnologias agropecuárias e a atuação dos profissionais na assistência técnica e da pesquisa tem uma função para que o crescimento urbano não seja conflitivo com as atividades agrícolas. O nível tecnológico da agricultura deste entorno tem que ter um menor impacto ambiental.
Quais políticas da Seab priorizam a necessidade de se proteger nascentes, matas ciliares e conservação de solos?
A Seab, por meio das suas políticas, fazem uma proposta mais ampla. Com o conjunto de entidades que atuam neste segmento, Prefeituras, Sanepar, IAP, Emater,Cpra, Ceasa, coloca em ação, várias atividades técnicas para atuar com este tema.
O sistema Seab contempla ações da extensão rural pela Emater Paraná que orienta os agricultores sobre as condicionantes ambientais para esta área. Ao mesmo tempo, a Seab, pelo seu Departamento de Fiscalização ap?ica a Lei estadual do Uso do Solo Agrícola, para aquelas situações bastante agravadas do ponto de vista ambiental.
Mas a Seab, juntamente com a Sema /IAP atua com o Programa de Mata Ciliar que prevê uma atuação intensa para resolver os problemas das matas ciliares. A Emater cadastra os agricultores e o IAP, por meio do seu viveiro metropolitano coloca as mudas à disposição dos agricultores.
E sobre a conservação dos solos, temos um conjunto de tecnologias que estão disponíveis para os agricultores desta região. Muitas vezes, somente ao fazer o encanteiramento em nível já é o suficiente para controlar a erosão do solo. Outras vezes, precisamos utilizar outras tecnologias para corrigir esta situação. Aqui na Região Metropolitana, o trabalho de manejo integrado e várias tecnologias, dão bons resultado.
Como o crescimento populacional de Curitiba e RMC continua a pressionar o ambiente pela produção de água de qualidade e por alimentos hortifrutigranjeiros, quais são as iniciativas da secretaria de Agricultura frente a estes desafios?
Primeiro, com a ação de formação continuada. Somente com metodologia educativa esta ação vai ter sustentabilidade. Acreditamos que para o sistema convencional é fundamental a diminuição da erosão do solo agrícola e do uso de agroquímicos. É preciso cada vez mais, que agricultores optem pelo sistema agroecológico.
A Seab, juntamente com outras entidades que atuam nesta região, reconhece a importância do planejamento de uso destas áreas como as APAs, as represas, etc, para tratar desta situação.
Precisamos disponibilizar tecnologias para que aumentemos as reservas hídricas nas bacias de captação de água, os mananciais de abastecimento público, por exemplo, o Programa de Gestão Ambiental Integrada em Microbacia (PGAIM), um Programa de Piscicultura, etc.
Com uma política de influenciar o mercado, vamos atuar no apoio às feiras, nos Programas de Merenda Escolar, compras em conjunto, etc.
Quais são os desafios, vistos pela Seab, para que a agricultura paranaense alcance a sustentabilidade?
Devemos analisar a sustentabilidade tanto na ótica ambiental, mas também do ponto de vista social e econômica. Entendemos a importância de ter uma agricultura mais competitiva, com maior rentabilidade econômica, mas a tecnologia de produção que hoje está sendo implementada, pode ser mais adequada e para isto, a organização dos agentes de assistência técnica e extensão rural nas bases municipais são importantes para uma maior eficiência deste serviço. A integração dos sistemas agrícolas, florestal e de pecuária proporcionando um equilíbrio na politica de uso do solo, também é uma diretriz importante.
O Estado do Paraná já é um grande produtor de alimentos, agora precisamos ser também um Estado com menor impacto no meio ambiente. Que a nossa agricultura seja mais diversificada, com uma agregação de maior valor. Nós não queremos ser apenas produtor de produtos básicos, mas também agregar valor nos nossos produtos.
Há políticas voltadas para uma agricultura sustentável? Quais?
Vamos analisar o conjunto das Políticas Públicas. Hoje, em muitos municípios, as Prefeituras, as Cooperativas possuem uma forte atuação tanto na Política de ATER como nas políticas de Fomento às atividades agrícolas. Atualmente, a política de crédito rural, é formulada e executada pelo Governo Federal. Neste ano, o Plano Safra prevê um bom volume para financiar a próxima safra.
Existe, também, uma integração das políticas de abastecimento alimentar, da Merenda Escolar com a Política do meio rural. Isto é um fato positivo.
Ainda temos a estratégia de utilizar os Programas como um instrumento de apoio aos agricultores. E neste caso, programas como o Trator solidário, a Irrigação noturna, são algumas das ações que podemos implementar.
Então, a sustentabilidade está sendo alcançada, pois a nossa produção aumenta, se diversifica e principalmente está aumentando o seu peso na economia.
Mas vamos entender que a sustentabilidade deve ser um conceito mais amplo. Devemos ver também o lado social, se está gerando emprego e se está permitindo o agricultor ter um crescimento no seu indicador de qualidade de vida, se os agricultores estão tendo oportunidade de continuar na atividade. É assim que entendemos o conceito de sustentabilidade.
Jornalista Crisélli Montipó
Foto: Arquivo Seab/AENotícias
Secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Erickson Camargo Chandoha












