
Integração lavoura-pecuária garante a sustentabilidade dos negócios no campo
Um sistema voltado para preservação da qualidade do solo e da água do ecosistema. Além disso, possibilita uma alternativa para aumentar a renda do produtor, principalmente na agricultura familiar. É assim que o engenheiro agrônomo Anibal de Moraes, professor do Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo da Universidade Federal do Paraná e do curso de Pós-graduação em Agronomia-Produção Vegetal da UFPR define a integração lavoura-pecuária.
Moraes explica que este método é utilizado há décadas região Sul do Brasil. “Classicamente representada pelas rotações da lavoura de arroz irrigado com a pastagem no Rio Grande do Sul e pelas rotações das lavouras de milho e soja com pastagens de inverno, desde o Rio Grande do Sul até o do Paraná”, conta.
Alguns conceitos básicos da integração lavoura-pecuária são o plantio direto, a rotação de cultivos, o uso de insumos e genótipos melhorados, o manejo correto das pastagens e a produção animal intensiva em pastejo. “A integração lavoura pecuária é mais do que utilizar ocasionalmente uma lavoura para reformar uma área de pastagem, ou ceder uma área a um parceiro que a cultivará. É antes de tudo um sistema planejado de utilização racional do solo, em que participam lavouras e animais, com maior lucratividade”, ressalta.
Há cerca de 15 anos, ele e uma equipe iniciou os trabalhos de pesquisa para orientar os produtores “A UFPR foi a primeira universidade a fazer pesquisas nesta área. Desde então, mais de 50 dissertações foram defendidas sobre este tema”, destaca. No entanto, não há estatísticas oficiais sobre a integração lavoura-pecuária. “No Paraná, em associados da Coamo, numa avaliacao que se fez, há 10 a 12% de adesão dos produtores, ou seja, 2 mil produtores de apenas uma cooperativa. Com isso, percebemos que cada vez mais tem a presença de animais em áreas agrícolas e na pecuária, presença de lavoura”.
Segundo ele, o uso da pastagem como rotação de culturas tem sido associado à redução de custos, aumento da eficiência do uso da terra, melhoria dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo, redução de pragas e doenças, e aumento de renda. “Pois há a contribuiçao a mais da biomassa da pastagem, que pode dispensar a adubação na lavoura”, conta. Além disso, há uma diminuição do risco para o produtor, que terá uma maior diversidade de produção em sua propriedade.
Integração lavoura-pecuária no sul do Brasil
Moraes destaca que as propriedades agrícolas necessitam de alternativas de rotação que possam intensificar o uso da terra, aumentar a sustentabilidade dos sistemas de produção e melhorar a renda.
Portanto, em regiões tipicamente agrícolas, a pecuária entra como uma opção de diversificação e possibilita a utilização na alimentação animal de plantas de cobertura ou pastagens anuais em rotação com cultivos anuais de grãos. Moraes recomenda a criação de gado de leite.
Já em regiões tipicamente de pecuária, a agricultura entra como uma opção para o estabelecimento ou reforma de pastagens. Moraes explica que a utilização da agricultura no processo de recuperação da capacidade produtiva das áreas destinadas às pastagens possibilita controle de invasoras e adoção de fertilização de uma forma mais fácil, além da diversificação da renda das propriedades.
No inverno recomenda-se o plantio de aveia e azevém para pastejo. No verão deve-se manter 20% como pastagem perene de verão, quando o restante é ocupado com soja e milho.
A produção integrada de sistemas agropecuários (animais, lavoura, árvores) auxilia na diminuição do êxodo rural, pois garante maior renda e melhoria da qualidade de vida no campo. Atento a isso, o grupo de pesquisadores, em parceria com entidades governamentais, vem priorizando a normatização de procedimentos para que o alimento produzido seja seguro e atenda a necessidade do consumidor.
Foto:
Crédito: Embrapa
Legenda:
lavouras e animais: maior lucratividade e proteção ambiental
escrito por Thaís E. Santo - Estagiária
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